
A Vila Real
Volmir Coelho
Mais um dia recomeça
Na pobre Vila Real
Mais um fato acontece
Que é notícia de jornal
Um rancherio amontoado
Se conhecem muito bem
A luta esquina queimada
Uma rua esburacada
Promessas que nunca vêm
Uma menina escuta o rádio
Cantarolando faceira
Sem entender o que diz
Uma canção estrangeira
É tão grande o sonho dela
Mas não passa da porteira
É tão grande o sonho dela
Mas não passa da porteira
Um cidadão vem lá de fora
Depois de dias no campo
Traz novidades na mala
E enche de alegria o rancho
Um outro sai pelas ruas
Juntando as vacas mansas
Pois delas tira o sustento
De um pão chamado esperança
É o bate boca da vizinha
Brigando com a gurizada
Um velho cuida sua horta
Bem mais cuidada que a casa
Planta e replanta a esperança
Que a vida será mudada
Planta e replanta a esperança
Que a vida será mudada
Mas quando vai embora
Da pobre Vila Real
Desperta o sonho de tantos
Que a vida é bela afinal
Na humildade desta gente
Existe a maior riqueza
Honestidade e coragem
De lutar por pão na mesa




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