
A Quem Tirar o Chapéu
Volmir Coelho
Existe um cuento de assombro faz tempo
De um vulto a cavalo que vem pra matear
Chapéu entre as mãos e poncho no ombro
Se achega e se apeia, sem nada falar
Estórias de ronda me contou um tropeiro
Que foi um ponteiro de uma tropa que vinha
O tempo se armou e ponchos se abriram
Mas só este homem não desemalou
Raios se cruzavam, qual planchaços de adaga
A tarde encharcada branqueou o corredor
Mas só este homem, por uma palavra
Talvez duvidando de nosso senhor
-Bota pra baixo pai velho, gritava
Com seu aba larga preso entre as mãos
Tem poder a palavra, um a menos na tropa
Uma égua planchada e um corpo no chão
Estórias de ronda em noites tropeiras
Quando se da asas ao pé do fogão
Em sinal de respeito, quando a Deus se clama
O mais taura dos homens vai de chapéu na mão



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