
Do Campo Para a Lagoa
Volmir Coelho
Na gasta mala de garupa
Emalou sonhos e ânsias
Num aflito upa e upa
Ficou pra trás a estância
Deixou, no campo, a esquila
De motor e de martelo
Pra ganhar mais alguns pilas
Perdeu todo o seu velo
Pedro perto do sonho
No ofício de pescador
Bate remos na lagoa
São martelo, são motor
Na canoa, que avança
Ao remar de cada día
Vai na proa a esperança
De uma farta pescaria
Timoneia o seu barco
No rumo do horizonte
Os filhos, lá no barraco
Têm fome desde ontonte
Más o sonho desmorona
Mesma mesa, pouco pão
Do campo para a lagoa
Veio junto a ilusão



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