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Palimpsesto

Volmir Coelho

A noite dessa gente ainda se faz presente
É preciso ver o dia
É preciso ver o dia

Como se fossem tarcas assinalando marcas
Que marcam as dores
Dos golpes sofridos, em tempos doridos
De infames senhores

O tempo não mata chagas de chibata
Que açoitam a vida
Na pele preta, reluz a noite sem luz
De quem escraviza

Nos podres porões, os rasos grilhões
Prendem cicatrizes
Nos palcos da dor, são carentes de amor
Atores tão grises

Das dores atrozes, se riem algozes
De gozo dos gritos
Por feridas abertas, nosso peito se aperta
Nos pondo contritos

Façamos uma prece a quem ainda padece
Desses tempos cruentos
Na pele dos filhos
Se marcam os trilhos de tais sofrimentos

A noite dessa gente ainda se faz presente
É preciso ver o dia
Raspemos esse crime em um ato sublime
De veraz alforria

Façamos uma prece a quem ainda padece
Desses tempos cruentos
Na pele dos filhos
Se marcam os trilhos de tais sofrimentos

A noite dessa gente ainda se faz presente
É preciso ver o dia
Que a Lei Dourada, há tanto promulgada
Tenha um dia valia

Escrita por: Volmir Coelho, Carlos Robrerto Hahn. ¿Los datos están equivocados? Avísanos.

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