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Remalhado

Volmir Coelho

Cumprindo o destino o velho Braulino
Entregou a tropa e de novo largou
Com duas gateadas e uma zaina folgada
Numa noite estrelada solito voltou

Com a plata no cinto, na mala a bolacha
No carnal dos pelegos a graxa de um quarto
Um poncho emalado cor de noite por fora
Por dentro qual fosse um sol Colorado

Ao bandear a cancela da estância pra estrada
Viu que as duas gateadas deram volta pra trás
Renegando a querência num bufido tão forte
Que talvez fosse a morte numa cruz a rondar

Atacou as gateadas virando a cabeça
Estralando a soiteira do arreiador
E lua crescente com a metade da cara
Pitando de prata o chão do corredor

Uma nuvem de poeira com calor de norte
Arrepiou o espinhaço do Braulino tropeiro
Viu que o laço estendido trazia de arrasto
Se bolcando nos pastos o corpo de um guerreiro

Se lançou na estrada com breu na memória
E a história contada até hoje o conduz
Voltou no outro dia pra campear o laço
E achou remalhado atado na cruz

Cumprindo o destino o velho Braulino
Entregou a tropa, solito voltou


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