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Bem entendo o teu medo
Sei que sofres em segredo
Temendo ser assaltado
Deve ser angustiante
Ver, por um meliante
Teu iPhone ser raptado

Que teu Rolex dourado
Que, em Paris, foi comprado
E ostentas orgulhoso
Foi tirado do teu braço
Pra evitar mais um balaço
De um assaltante asqueroso

Compreendo tua aflição
E o temor pelo ladrão
Que te traz desassossego
Mas, eu que não sou bandido
E sou sempre confundido
Apenas por ser negro?

Não basta meu protesto
Afirmando ser honesto
Nas batidas policiais
Meu receio de morrer
É bem maior que teu sofrer
De perder bens materiais

Até quando irei ouvir
Uma rajada a retinir
Nos barracos da favela?
E que uma bala perdida
Vai ceifar mais uma vida
Mesmo longe da janela?

Sei que tens teus temores
Pelo circo de horrores
Que se exibe na tevê
Nesta guerra fratricida
Eu temo por minha vida
E tu, tens medo do quê?

Escrita por: Volmir Coelho, Carlos Roberto Hahn. ¿Los datos están equivocados? Avísanos.

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