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Marcas do Tempo

Nilton Ferreira

Arrinconado no poncho da alma
Trançando cordas para os meus enleios
Comparo a vida ao meu doze-braças
Presa nos tentos dos meus devaneios

São pensamentos que viajam comigo
Quando me abanco pra pensar o tempo
Um mate novo pra avivar lembranças
Dessas andanças desquinando tentos

Um tempo antigo que não volta mais
Contemporâneo pra trançar de novo
Quanta saudade daqueles momentos
Tramando formas sem nenhum retovo

Me vou de tiro nesta estrada longa
Ainda tenho dois cavalos buenos
Um flete mouro com marcas do tempo
E um baio ruano do trotear sereno

Quem sabe, um dia, um piazito herdeiro
Desses campeiros hoje em extinção
Desquine ideias pra acender memórias
Trançando histórias em nossos galpões

Quantos gaúchos, ao matear quimeras
Revendo sonhos no tempo perdidos
Talvez não saibam que o bom da história
São as memórias que guardam consigo

Me vou de tiro nesta estrada longa


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