
Depois da Última Recolhida
Volmir Coelho
Depois de feita a derradeira recorrida
Partirão juntos o gaúcho e o cavalo
E o inventário da saudade, levou pranto
Olhos molhados que o tempo há de enxugá-los
Bem guardado no galpão, um par de arreios
E as esporas penduradas na parede
As garroneiras exiladas dos estribos
E emalado o campo-mar morre de sede
Em meio ao pasto a primavera trouxe flores
Pro sepulcro que repousa o flete amigo
Também de rosas enfeitou-se o campo santo
Com sentimento posto em frase num jazigo
Dentro do rancho um velho sente arder no peito
A marca rude que timbrou pra sempre a vida
E os bons requerdos de quem foi fibra e esteio
Pra sua amada e os rebentos dão guarida
O triste fato ainda é motivo pra charlas
Um destes causos contados de pai pra filho
Sobre um perito no mango e cancha das rédeas
Que, pela lida, morreu com seu douradilho
Passam os dias por estes rincões fronteiros
Das madrugadas que empeçam novas manhãs
Destes mistérios que ainda rondam os campos
Marcando a história da Estância San Juan



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